Tempo de partilha

Reset por Dra. Alexandra Almeida #12 – “Que só os beijos te tapem a boca”

Cada vez mais sinto que vivemos num mundo de contra-sensos. Numa era em que os meios de comunicação estão cada vez mais sofisticados, nunca esta esteve tão comprometida do meu ponto de vista. As pessoas têm cada vez mais dificuldades em comunicar entre elas, em assumir as suas verdades e sentimentos. De que serve desenvolvermos novos meios de comunicação, se os básicos, os essenciais e os primordiais falham?
Nascemos com verdades, mas infelizmente demasiadas vezes tendemos a morrer com mentiras, pois assumirmos com coragem para o mundo o que pensamos e o que sentimos, sem qualquer medo ou preconceito é um feito que não está ao alcance de qualquer um. As verdades doem, sobretudo para quem as ouve e não as quer ouvir, pois elas obrigam a um confronto “duro” com uma realidade que nem sempre se está preparado para se encarar, por isso é que as verdades doem tanto. Assim, e de forma a evitarmos males maiores, ocultamos verdades. Sim porque, todos nós sabemos que elas têm a capacidade de provocar mal entendidos, e o que é um mal entendido a não ser a maior distância existente entre duas pessoas. E quando este mal decide atacar, sabemos quase sempre de antemão, que a maior parte das vezes o orgulho acabará por vencer e falará sempre mais alto que o coração. E é certo que quem vive de orgulho terá de se acostumar com despedidas, e ninguém se acostuma a isso. Então, ocultámos certas verdades e proferimos certas mentiras, em busca de um bem maior: entendimento, cordialidade, aceitação. No fundo para o bem de uma sociedade dita “politicamente correta”, que nos ensina que certas palavras são como balas, umas ferem, outras matam, e poucas são as que passam ao lado…

 

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Mas como em tudo na vida, para cada regra existirá sempre uma exceção, felizmente…
Porque ainda há pessoas que todos os dias se recusam a engolir certas verdades,  e porque ainda existem aquelas que são capazes de as gritar a pelo pulmão, mesmo que lhes falte o ar. Porque sim, porque sabem que depois de uma primeira mentira qualquer verdade se tornará numa dúvida, e não estão dispostas a pagar tal preço. Elas assumiram que são diferentes e que têm a coragem para o ser, sem medos ou vergonha. No fundo, elas descobriram que ter a consciência tranquila é uma das maiores conquista que o Ser Humano pode ambicionar.
É certo, a verdade dói mas não mata, já a mentira agrada mas não cura. Na minha modesta opinião, devemos sinceridade às pessoas que nos dizem muito, e precisamos cada vez mais de o assumir sem medo ou complexos, até porque todos precisam de saber, e todos precisam de falar…não sejam como o outro:

Morreu de quê? sufocou com as palavras que nunca disse…
…Então, que só os beijos te tapem a boca.

 

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Rubrica “Reset” por Dra. Alexandra Almeida

 

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