Tempo de partilha

Reset por Dra. Alexandra Almeida #11 – Seja transparente, não invisível

Começo cada vez mais a achar que vivemos num mundo em que somos treinados para sermos soldados. Herdámos armaduras rígidas, sólidas, cada vez mais resistentes aos ataques de um suposto inimigo, verdadeiras capas que nos protegem “supostamente”. Herdámos também espadas cada vez mais afiadas capazes de aniquilar ao primeiro golpe. Aprendemos desde cedo a planear ataques, a lutar, a nos defendermos de possíveis ameaças. Somos cada vez mais bem treinados nesse sentido, com o intuito de sairmos vitoriosos dos embates. Sim, somos verdadeiros soldados, mas em troca de quê? Sucesso? Poder? Reconhecimento? Proteção ? Sim, herdámos armaduras cada vez mais sofisticadas efetivamente, e por isso arrisco-me a dizer que qualquer probabilidade de serem furadas pelo Amor se torna cada vez mais numa utopia. Temo que o contacto Humano, aquele contacto físico entre dois seres esteja em via de extinção e mais uma vez pergunto: em troca de quê? Sim, somos verdadeiros soldados com um tremendo poder nas mãos mas com um abismo gigante no coração. Talvez esteja na hora de assurmirmos que existem heranças que se tornam verdadeiros fardos dos quais simplesmente nos devemos libertar. É fácil ser-se soldado atualmente, vestir armadura tornou-se tão familiar que até passou a fazer parte de nós. Díficil é deixar de o ser num mundo em que poucos ou nenhuns pensam fazê-lo.

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Aiiiii como sempre tive a mania do contra…

Nunca fui de modas e tão pouco tenho a aspiração em ser soldado, não gosto de lutas. Gosto sim de tocar, de abraçar, de sentir, e sobretudo de amar, e isso não se consegue com capas nem com armaduras, isso consegue-se apenas abrindo o peito. Abrir o peito é decidir ser-se transparente, mostrando aquilo que se é sem defesas, sem rodeios, sem vergonhas e principalmente sem medos de possíveis mágoas (que serão certas), aceitando que somos seres frágeis, vulneráveis mas que é nessa fragilidade que nos sentimos vivos. Ser-se transparente é escolher ser-se “intenso”, viver tudo sem deixar nada por sentir, nada por dizer. Há quem diga que a intensidade pode ser a maior dádiva ou o maior castigo, dependendo em quem a depositamos, escolho confiar e acreditar que nunca deixará de ser uma dádiva, apesar das mágoas e das quedas que ela possa provocar. Ser-se intenso é pagar um preço demasiado alto muitas vezes mas é um risco que deveremos correr se quisermos resgatar o Amor no “outro”, e se quisermos sobretudo resgatar o Amor em nós mesmos… Ser-se transparente é carregar consigo uma sede de travar outros combates, bem mais dignos, bem mais puros. Trata-se de procurar desarmar “o inimigo” e trazê-lo para o nosso lado. No fundo ser-se transparente é ter uma fé inabalável na Humanidade e acreditar que ainda vamos a tempo de criar exércitos de Amor. Ser-se transparente jamais corresponderá a ser-se invisível, jamais…Porque enquanto que na invisibilidade se encontra a indiferença e a morte, na transparência encontramos a vida. No fundo ser-se transparente é aprender a lidar com uma exposição total mas nunca a temer ou rejeitar. Ser-se transparente é simplesmente ter-se orgulho em ser-se diferente para se fazer a diferença.

E sabes o que te digo? Já não tens idade para o esconde-esconde…

Desarma o soldado que existe em ti…

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Rubrica “Reset” por Dra. Alexandra Almeida

 

 

 

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