Tempo de partilha

Reset – Pelos caminhos de Santiago

Quando a tua bússola interna grita para encontrares o teu Norte só tens uma coisa a fazer, PARAR… Parar principalmente o Eco ensurdecedor de crenças e pensamentos limitativos que teimam em assombrar os teus dias. Aí certamente irás descobrir que há alturas na vida  em que fazer um Reset torna-se tão crucial como o ar que respiras.

E como se faz um Reset? Como se consegue fazer um Reset mental quando tudo o que ouves dentro de ti soa a confusão e dúvidas?
Tão simples quanto isso: quebrando a tua rotina, desafiando os teus limites e saindo da tua zona de conforto.

Simples certo?
Quando me falavam dos Caminhos de Santiago confesso que nunca lhes tinha dado a devida  importância. Hoje já não duvido nem por um segundo do poder curativo que eles podem ter na nossa vida, e da capacidade incrível que têm para testar as nossas velhas estruturas. Se houve experiência que me mudou até hoje  de forma tão repentina posso dizer que foi mesmo essa, fazer os caminhos de Santiago.
Quando iniciei esta aventura tinha uma única certeza, a pessoa que partia nunca mais seria a pessoa que voltaria, e só isso me bastava para estar aberta à experiência. Tinha na bagagem esperança para iniciar a caminhada, mas tinha sobretudo no coração espaço suficiente para preencher-me de emoções e sensações e foi precisamente isso que aconteceu.
Partia com o peito aberto, com uma vontade tremenda de largar velhos medos, velhos padrões de pensamentos e com uma sede tremenda em “renascer”. Renascer para um novo Eu, bem mais destemido. Capaz de viver novas batalhas, capaz de lutar para conquistar novos sonhos. Partia de peito aberto para perceber “o lugar” onde vivia o meu coração, para posteriormente assumi-lo com coragem, mesmo que pudesse não fazer sentido para outras pessoas. Mas partia sobretudo disposta a sintonizar a minha bússola interna, aquela que sabe tão bem qual é o meu lugar. No fundo estava aberta ao que viesse e acima de tudo ao que tivesse de ir, por mais que isso pudesse doer.

Por mais que queira descrever esta experiência e transcrever por palavras o poder avassalador que teve em mim e na minha mudança, sinto que é uma tarefa  ingrata pois não encontro palavras capazes de transcrever com o mesmo realismo o tamanho dessa experiência e o impacto que teve em mim e nos companheiros de jornada que me acompanhavam. Porque jamais palavras conseguirão traduzir a linguagem do coração e de um sentimento.
No meu ponto de vista o maior desafio dos Caminhos de Santiago  não são os km que terás  de percorrer (262 no total a sair do Porto), nem o peso da mochila que levarás às costas, mas sim o confronto que terás contigo mesmo, com os teus bloqueios, com os teus medos, com as tuas dúvidas, no fundo com aquilo em que acreditas ser, isso sim será o verdadeiro desafio, e terás de estar preparado para ele se quiseres ser bem sucedido. A tua vida desfilará pelas curvas, pelas subidas e descidas com que te irás deparando ao longo do caminho. As dificuldades surgirão das mais diversas formas para testar a tua fibra. Serão as bolhas que aparecerão nos pés, serão as dores que elas provocarão, verdadeira tortura pois não te restará outra alternativa a não ser pisá-las com força e tentar abstrair-te da dor. Para completar o quadro surgirão as dores musculares que irás ganhando por te teres tentado proteger das bolhas, e por fim o “maldito” cansaço que te irá atrasar o caminhar. Quererás andar, a tua mente quererá prosseguir mas sentirás que o teu corpo não acompanhará, e cada passo se tornará uma luta entre a tua mente e o teu físico. Depois de algum tempo irás perceber que o ritmo não interessa para nada, o que interessa é prosseguir a marcha e lá chegar. O caminho afetar-te-à sobretudo psicologicamente, qual treino militar, e terás de estar preparado para vencer o teu inimigo nº 1, a tua mente… É nesse momento que descobrirás que se queres superar o caminho terás de te superar a ti mesmo, pois tu serás o teu maior obstáculo.

Percebi que cada um “Vive” o caminho à sua maneira e vê nele tudo aquilo que é suposto  ultrapassar. O caminho é perfeito nisso, por isso é único para quem o trilha porque todos nós temos coisas diferentes para resolvermos. Posso dizer que o caminho foi a metáfora perfeita que a vida encontrou para me mostrar tudo o que existia dentro de mim. Vi medos, fraquezas, anseios, dores, feridas mal curadas, mas também vi tanta coisa boa, amizades puras, companheirismo, alegria, força, coragem, diversão, determinação, confiança, amor e carinho. Consegui ver o pior e ao mesmo tempo o melhor do Mundo. Percebi ainda, que nos momentos certos, a vida acaba sempre por nos proteger, por nos trazer alento através de pequenos gestos, de palavras ditas na hora certa às vezes vindas de onde menos se espera. Percebi que quando tudo parece perdido, existem pequenos milagres que acontecem para nos mostrar que Confiar é, e será sempre o melhor remédio. Confiar na Vida e entregarmo-nos a ela de corpo e alma.

A Fé, essa arma poderosa. Aquela que te fará acreditar que és capaz e lá chegarás.  No meu entender a alavanca mais poderosa que te ajudará a superar qualquer obtáculo e qualquer desafio. Sem esquecer as “Tuas pessoas Luz” aquelas que apesar da distância  que vos separa estarão contigo, no teu lugar mais precioso, o teu coração. Pensar nelas, focar-te nelas e nas suas palavras de reconforto fará sem sombra de dúvida toda a diferença. Permitir-te-à encontrar a força em ti, aquela que nem tu desconfiavas existir.

Foi o que aconteceu comigo, e é o que acontecerá contigo.  A todas elas só posso expressar a minha maior gratidão.

Ao longo do caminho duvidei de mim, mas nunca da minha capacidade em lá chegar. Foi ao longo do caminho que fui largando velhas roupagens e soltando velhas crenças. Foi ao longo do caminho que me fui re-inventando. Aprendi que focada, persistindo apesar dos obstáculos e resistindo às dificuldades somos capazes de grandes milagres…

Foi a caminho de Santiago que encontrei a minha Guerreira, aquela que tantos viam mas que eu desconhecia.

Foi a caminho de Santiago que me Libertei…  de tantas pedras que carregava comigo, pois elas já não faziam sentido, não era mais minha intenção construir um castelo.

E foi precisamente a chegar a Santiago que percebi que a Alexandra que tinha iniciado a Caminhada nunca mais seria a mesma…Seria Melhor. Foi a chegar a Santiago que descobri que não somos nós que passamos pelo caminho, mas sim o caminho que passa por nós…e o mais importante, que a PERSISTÊNCIA realiza o IMPOSSÍVEL.

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