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Reset por Dra. Alexandra Almeida #6 – Espelho meu, espelho meu, existe alguém melhor do que eu?

“Espelho meu, espelho meu, existe alguém melhor do que eu?”

Quantas vezes olho para o meu passado, ainda era eu uma criança e recordo a angústia que sentia por me achar diferente dos outros. Passava horas a observá-los numa tentativa vã de ser como eles, ou melhor tão boa como eles…achava eu. Pensava que talvez assim me sentisse melhor, mais completa, mais eu. Nunca pensei que ao fazê-lo acabaria por me perder, perder aquilo que me distinguia dos outros e que por isso me tornava tão especial. Li certa vez que nascemos todos originais e tendemos a morrer todos cópias, que pura realidade, e que realidade tão cruel, arrisco-me a dizer um atentado à nossa natureza. É como querer encaixar à força num par de sapato que não nos serve, até podemos por alguns momentos aguentar, mas com o passar do tempo o desconforto vai surgindo, a dor vai se tornando insuportável, e aí é que descobrimos que afinal caminhar descalço era o melhor para nós. Pena alguns só descobrirem tarde demais.

Quantas vezes não sentiste a pressão imposta pela sociedade? Uma sociedade em que não basta ser-se bom, em que é imperativo ser-se perfeito. Crescemos a ouvir esse discurso, em casa, na escola, nos sítios que frequentamos, na boca das pessoas que nos rodeiam, até que não temos outro hipótese senão aceitar esse discurso e torná-lo nosso também. Quando se é criança é nos impossível questionar certos valores, certas crenças, assumimos que quem nos as transmite sabe do que fala, e aceitámo-las como verdades absolutas. E assim crescemos com  a ideia deturpada que ser-se perfeito é o caminho certo para se ser feliz. É nos vendida uma imagem idealizado daquilo que é suposto sermos e o choque surge quando nos deparamos com o reflexo da nossa imagem no espelho. Tantas imperfeições…

 

 

Nunca vi como hoje gente tão frustrada e tão insatisfeita como a de agora, esse duro confronto faz-nos sentir tão mas tão pequenos, tão desajeitados, tão diferentes. Já ninguém  gosta de ser diferente,  porque mais cedo ao mais tarde  a diferença assusta e tememos ser rejeitados, qual peças defeituosas e ultrapassadas, e no fundo é isso, tememos a rejeição. E nesse processo louco de impedirmos a nossa rejeição tornámo-nos todos cópias, perdendo assim a nossa originalidade.

Que desgraça…

Defronto-me constantemente no meu dia à dia com os danos colaterais que essa comparação social provoca no ser humano, e posso garantir que não é algo bonito de se ver, quanto mais de se sentir. Nos dias de hoje em que se fala tanto em terrorismo e no rasto de destruição que ele provoca não seria importante percebermos de uma vez por todas que um dos maiores atentados de que podemos sofrer é dessa comparação social? Alguma vez pensaram nos danos que ela provoca? E no tempo que a pessoa leva a se recompor de tal ataque? Posso vos garantir que algumas levam anos, ou mesmo uma vida para isso.

Já ninguém tem coragem de se olhar ao espelho, porque sempre que o fazem, e sempre que lhe perguntam: “Espelho meu, espelho meu, existe alguém melhor do que Eu?” ele teme sempre em responder que sim. E ninguém percebeu ainda o motivo para isso.

A resposta é tão simples.

Só há melhores do que Tu porque abdicaste de ti, e decidistes ser mera cópia.  Porque se fosses aquilo que nasceste para ser, se te assumisses como alguém diferente, mas especial, te garanto que não existiria melhor do que Tu.  Talvez esteja na hora de mudares o teu discurso interno, mudares as tuas crenças, os teus valores. Acorda… já não és essa criança, podes pensar, questionar, mudar… és adulto e tens o dever de te reencontrares.

E quando descobrires isso, quando conseguires seres o que vieste para ser, te garanto que o brilho no espelho será outro e aí poderás responder

Espelho meu, espelho meu

 “Somos as coisas que moram dentro de nós. Por isso há pessoas  que são bonitas.
                                                                                                                                                                                                                                       Não pela cara, mas pela exuberância do seu mundo interno”
(Frase de Rubem Alves)

 

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Rubrica “Reset” por Dra. Alexandra Almeida

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