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Reset por Dra. Alexandra Almeida #3 – Elogio do Amor Puro

Como diz Miguel Esteves Cardoso ” Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão”.

Mas afinal o que aconteceu ao Amor? Por que motivo hoje em dia as pessoas estão tão descrente em relação a ele?

“Há pessoas que nos roubam”, que são autênticos ladrões de sentimentos, de amor, de  pureza, ladrões simulados em bons samaritanos, que ao nosso primeiro convite para entrar se apoderam do nosso espaço, reconhecem o território, e simplesmente na primeira  oportunidade roubam  tudo o que estiver ao seu alcance. Roubam a nossa inocência, a nossa pureza, a nossa dedicação, o nosso amor, a nossa fé. Roubam-nos num simples piscar de olhos, à primeira distração da nossa parte e deixam-nos vazios, sem sentir um único remorso. São frios, calculistas e implacáveis. São especialistas em questões de assaltos,  e sobretudo peritos em espalhar o vazio por onde passam. E quem já não sofreu um roubo deste? Roubo por vezes tão violento, tão doloroso que só pode deixar cicatrizes profundas, difíceis ou mesmo impossíveis de sarar.  A única solução possível passa por nos trancarmos a sete chaves, porque como diz o ditado e bem: depois de roubados trancas às portas.  E olhando bem, parece ser a solução mais acertada. Estamos trancados, fechados, mas seguros, qual forteleza construída para impedir a invasão do inimigo. E inicialmente sentimo-nos confortáveis assim, mas só inicialmente, porque depois, vem o passar do tempo e ficamos recluso dentro da nossa redoma de vidro enquanto que a vida acontece lá fora. Ninguém entra certo, ninguém que nos possa magoar, mas também não saímos, não vivemos. Vamos morrendo aos poucos, por dentro, vamos deixando que o Amor sufoque em nós, e passamos apenas a sobreviver, com um fraco pulsar no coração. Deixamos o polícia à porta e simplesmente esperamos por um milagre, que geralmente nunca chega, e a vida vai passando… Como dizia Saint- Exupéry  ” Não é loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou?. “

Pergunto-me quando é que as pessoas desistiram de amar? Que doença é esta tão mortífera que está a aniquilar qualquer pulsar do coração e pôr o Amor em via de extinção? Onde se encontra o antídoto para este flagelo?

É verdade, “há pessoas que nos roubam” e dói, se doí. Mas se estivermos atentos, perceberemos que a vida tem um equilíbrio perfeito, e que a cada roubo por nós sofrido, a vida nos compensará sempre com a entrada de “pessoas que nos devolvem”. Pessoas estas audaciosas o suficiente para arriscar o confronto direto com o nosso polícia interno, autênticos inconformados com esse sistema policial montado por nós. Pessoas que sabem lutar por nós com as armas certas, até mesmo quando fomos incapazes de o fazermos por nós. Que acreditam que a vida acontece do lado de fora, e que sabem muito bem que “corremos o risco de chorar um pouco quando nos deixamos cativar”, mas que sabem  sobretudo que “é preciso suportar duas ou três larvas se quisermos conhecer as borboletas”. São pessoas que  nos devolvem a fé quando muitas vezes a perdemos, que sabem esperar por nós do lado de fora. Elas sabem que para cada perda sofrida, será necessário um tempo para nos reerguer-mos, para nos recompormos da destruição sofrida, e para abrirmos novamente as portas do nosso coração  e sairmos. Elas são pacientes mas sobretudo persistentes.

Ficam simplesmente do lado de fora, sentados à espera desse momento. Porque elas sabem ” que o Amor ilumina aquele que dá e o que recebe. Que o Amor é gravidade, porque faz com que as pessoas se sintam atraídas umas pelas outras. E que o Amor é potência, pois multiplica o melhor que temos, permitindo assim que a Humanidade não se extinga no seu egoísmo cego, pois o Amor revela e desvela, e por Amor vivemos e morremos” (realmente Einstein entendia desta matéria).

Acho mesmo que o Amor provoca medo, no fundo é um dos poucos poderes no Universo que o Homem ainda não conseguiu dirigir a seu favor, e como dizia Einstein e bem “ainda não estamos preparados para fabricar uma bomba de Amor, uma criação suficientemente poderosa para destruir todo o ódio, egoísmo e ganância que assolam o planeta. No entanto, cada indivíduo carrega dentro de si um pequeno, mas poderoso gerador de Amor, cuja energia aguarda para ser libertada. E quando aprendermos a dar e receber esta energia Universal, provaremos que o Amor tudo vence”.

Fui roubada como qualquer um de vós. Ficaram sem dúvidas cicatrizes profundas, mas recuso deixar de Amar. Recuso tornar-me reclusa na minha própria redoma de vidro,  só porque tive a (in)felicidade de me cruzar com ladrões. Recuso-me viver com medo de ser novamente assaltada, mas sobretudo, recuso deixar-me contagiar por esta doença mortífera, que aniquila o Amor. Por isso, e enquanto o meu gerador funcionar, irei sempre procurar por quem está prisioneiro, e esperarei pacientemente do lado de fora para que essa pessoa saía, serei aquela que lhe devolverá a Fé, a Esperança, o Acreditar… e serei capaz de lhe provar que o Amor sempre vence…

Acredito no Amor, acredito que há pessoas que nos roubam, mas haverão sempre aquelas que   nos devolverão, por isso quero fazer o “elogio do Amor Puro, do amor cego, do amor  estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há”.

E sim, um dia provarei que o Amor tudo vence, mesmo que seja só a mim …

 

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Rubrica “Reset” por Dra. Alexandra Almeida

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