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Reset por Dra. Alexandra Almeida #1 – O lugar em nós que nos assusta…

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Li uma vez a seguinte frase: “ Somos casas. Quem está de fora, não sabe o que se passa dentro das nossas paredes. Às vezes, há quem entre e veja todas as fissuras e imperfeições. Então há os que fogem a sete pés, com medo que o tecto caia. E os que ficam, na esperança de um dia morarem em nós.” Nunca mais me esqueci dessa mais pura verdade.

E pergunto, e vocês? Vocês que moram nessa casa, vocês que vêm essas fissuras, também fogem a sete pés? Ou simplesmente ficam, com a esperança de um dia se sentirem verdadeiramente aconchegados? Mas afinal como nos podemos sentir aconchegados num espaço repleto de imperfeições? Como se resiste ao desejo de fuga desses lugares sombrios que nos pertencem? Principalmente vivendo num mundo onde as imperfeições não têm lugar. Desde cedo somos ensinados a valorizar o belo, o perfeito, mesmo sabendo que a perfeição se trata de uma mera utopia. Afinal não é de loucos pensar assim? Vivemos num mundo em que é suposto sermos perfeitos, em todos os sentidos, estética, física, emocional, mental ou mesmo profissionalmente. Como é que as nossas casas podem resistir a tal pressão? Como é suposto as paredes não tremerem e ganharem fissuras? É sobre humano…diria mesmo impossível ou muito pouco provável. Então, como impedimos que essas fissuras se tornem autênticos buracos negros na nossa auto-estima? Como impedimos que o tecto caia e tudo se desmorone em nós?

A única certeza que temos é que ao nascermos herdemos essa casa, apesar de muito poucos nos ensinarem o que fazermos dela, e até mesmo como mantê-la em pé. Uma coisa é certa, ensinam-nos como cuidar do seu exterior, como a manter agradável à vista dos outros, porque isso sim é o principal, ser agradável ao olhar do outro, mesmo que ao nosso fique a desejar. E assim nascemos todos originais e vamos nos tornando todos cópias, bem, quase todos. E ao passarmos a vida a cuidar do exterior descuidamos o interior, esquecendo que ele também existe, e que um dia, quando a tempestade chegar, será lá que nos teremos de abrigar. Dessa forma, é inevitável que o interior se deteriore ao longo do tempo, ganhando as tais fissuras e imperfeições, subtis no início, mas que se tornam verdadeiras “crateras” com o tempo. E quando a tempestade chega, quando somos obrigados a olharmos para dentro, a entrar, assustamo-nos. Tudo é frio, vazio, cinzento. A frustração chega e torna-se hóspede, entristecendo-nos. Então há os que fogem, voltando para o exterior, ou procurando o abrigo no outro, mas depois há os corajosos, os que ficam, na esperança que um dia haja alguém que pare, entre e queira ficar.

Mas até a esses pergunto: como poderá lá entrar alguém se até nós tivermos dificuldade em lá estar? Não será depositar o nosso conforto e bem-estar em mãos alheias? Afinal quem é o dono da casa? A quem cabe o seu restauro?

Só vejo uma forma de resolver esse problema, que afeta tanta mas tanta gente dos nossos dias, entrarmos, encararmos os problemas e procurarmos resolvê-los, com calma, sem pressão, com tempo, mas sobretudo com muita Aceitação e Amor. É um processo demorado, por vezes muito demorado, mas necessário. Digo-vos que só conseguirá lá entrar alguém no dia em que vocês não tiverem medo de lá estar, e sobretudo ficar, mesmo ainda existindo as tais fissuras ou imperfeições, até porque algumas farão sempre parte do mobiliário. Digo-vos que só entrará lá alguém quando a vossa luz sair para o exterior, quando o vosso calor humano for tão apetecível que atrairá o olhar alheio.

Façam das vossas casa um lugar seguro, de forma a que alguém um dia possa desejar lá entrar e lá encontrar o seu porto de abrigo, nem que essa pessoa sejam VOCÊS.

Há algo que nada destrói, nem mesmo o tempo…o AMOR

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Rubrica “Reset” por Dra. Alexandra Almeida

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