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O selecionador que convoca 8 capitães

Fomos até Aveiro visitar Bruno Seco, que foi um dos três convidados da 2.ª Am.oRg talKs, com quem estivemos à conversa. Tem 40 anos, é natural de Foz Côa, vive em Aveiro há 31 anos e é professor de desporto na I.P.S.S. Florinhas do Vouga, em Aveiro. Tudo isto para lhe trazer um pouco da sua história e de como chegou a seleccionador nacional de futebol de rua.

Trabalha no Centro Comunitário do Bairro de Santiago, com crianças e jovens aos quais dá aulas de desporto, além de explicações escolares. Nas férias lectivas faz com que a ocupação de tempos livres seja uma mais valia para os mesmos.

No que diz respeito aos adultos, os programas baseiam-se na ginástica de manutenção e caminhadas. e, para os idosos, gerontomotricidade, o que permite que todas as pessoas se possam manter bem ativas.

Bruno Seco é professor de desporto no Estabelecimento Prisional de Aveiro, treinador de futebol para crianças dos 3 aos 12 anos, na Associação Desportiva de Taboeira, e treina, ainda, a equipa de Futebol de Rua do Bairro de Santiago.

Chegou a selecionador nacional de futebol de rua em 2011. Primeiro como adjunto e, a partir de 2012, como selecionador principal.

“A mim, como pessoa (Bruno), não me mudou em nada, melhorou o meu currículo e, aos olhos dos outros, é um certo status. De resto, continuo a ser o mesmo Bruno que sempre conheceram, justo direto e verdadeiro.”

Sobre o impacto que este cargo de seleccionador lhe trouxe para o seu quotidiano, a resposta não se fez esperar, “a mim, como pessoa (Bruno), não me mudou em nada, melhorou o meu currículo e, aos olhos dos outros, é um certo status. De resto, eu continuo a ser o mesmo Bruno que sempre conheceram, justo direto e verdadeiro.”

O convite para selecionador nacional de futebol de rua surgiu em 2011 através do “Gonçalo, que é o manager do projeto em Portugal”. No primeiro ano, Bruno Seco integrou a equipa como adjunto, em França, e, a partir de 2012, tornou-se no treinador principal da seleção das quinas. Desta forma, “2012 tornou-se numa experiência fantástica”, não só por já conhecer “os cantos à casa”, como por poder ser mais uma das vozes de comando.

O Bruno Seco é uma pessoa bastante acessível e, em determinada fase da nossa conversa,  a questão foi parar a um momento épico que ainda hoje se lembra com emoção: “momento épico, 2011, França vs Portugal, equipa da casa a jogar em Paris, bancadas repletas, quando se solta o hino de Portugal, tremi das pernas, um tremer saudável, emocionante, foi dos poucos momentos na vida que me senti assim”, remata o Bruno com um grande sorriso na cara.

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Quanto ao futebol de rua, Bruno diz-nos que,“tem regras bastante diferentes do futebol e do futsal”, tais como: um jogo tem duas partes de 7 minutos para cada lado, o tamanho do campo é metade de um campo de futsal, tem tabelas, a velocidade do jogo é alta, desgastante, joga-se apenas com 3 jogadores de campo mais um guarda-redes, “quando é golo não existe bola ao meio campo, a bola sai no guarda-redes”, a equipa que ataca está sempre em superioridade a partir do meio campo, uma vez que o avançado não pode defender do meio campo para trás, “podem existir sempre muitos golos e, até em poucos segundos, marcam-se vários golos”, coisa que no futebol tradicional a probabilidade de isso acontecer é muito reduzida.

“Quando seleciono alguém, escolho 8 capitães

Bruno já esteve presente em quatro mundiais: França, México, Polónia e Chile. O próximo será o seu quinto mundial e será no país das Tulipas, em Amesterdão, na Holanda.

Soubemos pelo Bruno que o Chile chega a preparar-se para esta competição com seis meses de antecedência, o México tem como patrocinador o Carlos Slim, um dos homens mais ricos deste planeta e que a Indonésia tem um respeito tão grande pelo jogo e pessoas que “ao início chegávamos a pensar que estavam a gozar connosco”.

Quanto aos elementos que integram uma comitiva ficámos a saber que “tem 8 jogadores” e, como tudo na vida, também no futebol de rua, umas equipas vão para ganhar e outras com o objetivo de apenas participar.

A seleção de Portugal, no último mundial, ficou num honroso 6.º lugar, “cada vez mais as equipas levam o jogo mais a sério”. Não obstante o objetivo para este ano é melhorar e trazer no “mínimo um 4.º lugar”, diz Bruno Seco.

Pedimos ao Bruno para se retratar em 3 palavras, “justo, direto e verdadeiro”, foram as escolhidas. Quanto à equipa, ” forte, motivada e com a noção das suas capacidades”. Rematando ainda com, “não somos imbatíveis, mas só os melhores é que nos podem vencer”, concluiu assim este capítulo.

Quanto aos apoios, ficámos a saber que  nossa selecção tem o apoio da Federação Portuguesa de Futebol (equipamentos), o Instituto de Desporto (deslocações e viagens para os mundiais), a Fundação Luso (organização dos nacionais e extras da selecção).

 

Amesterdão é o próximo palco de Portugal, em setembro de 2015, e quero levar 8 capitães com o espírito de capitão”

Para se ser elegível, nas escolhas do Bruno, as pessoas têm que estar ligadas, direta ou indiretamente, a instituições de solidariedade social. Tudo vai depender da história de vida de cada um e do relatório psicossocial (preenchido por uma técnica), onde tudo é analisado. Só a partir desse momento é que a pessoa poderá ser seleccionada, tendo em consideração que o objetivo é a integração destas pessoas na sociedade, através do futebol de rua.

Tendo por base essa pré-avaliação, pedimos ao Bruno que nos dissesse qual o seu próprio critério de seleção: “muito simples, tenho 10 dias para criar uma equipa que tem que ser de oito jogadores, um guarda-redes, um joker e seis jogadores de campo. Têm de saber jogar futebol, serem 8 capitães, em vez de 1. Todos têm que ter o mesmo objetivo, fairplay, disciplina, serem líderes e saber perder, quando isso acontece”, finalizando assim o excelente momento que passámos com o Bruno Seco.

Se gostou desta entrevista também irá, com certeza, gostar da próxima, que será a 30 de abril, com a primeira talker da 3.ª edição Am.oRg talKs, Sara Lima, responsável pelo projeto RVI – Rede de Voluntariado Intergeracional . Aponte a data na sua agenda ou subscreva a nossa newsletter.

A 5.ª Am.oRg talKs é  já no próximo dia 08 de maio, pelas 21 horas. Conheça aqui o programa.

TEXTO: ALEXANDRE MARTINS | ENTREVISTA FEITA POR: ALEXANDRE MARTINS | ENTREVISTADO: BRUNO SECO | FOTOGRAFIA: ALEXANDRE MARTINS | VERIFICAÇÃO DE TEXTO/DIRETOR DE TEXTO: ANTÓNIO PINHO

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